23 Milk

25fev09

Milk – A Voz da Igualdade (2008)

Dir: Gus Van Sant

Elenco: Sean Penn, James Franco, Diego Luna, Emile Hirsch, Josh Brolin

Pretexto para reunião de homens gostosos, deveria ser o subtítulo desse filme. Gus Van Sant deve ter realizado todos os sonhos eróticos dele. Fora isso, nada demais. Sei lá. Acostumei com Gerry e Paranoid Park. Não esperava rever algo como Gênio Indomável. Mas daí é só parar e pensar que o diretor já fez um video-clip para os Hanson…

Acredito que a força do filme se encontra no fato de ela simbolizar tudo que os americanos esperam de Barack Obama: mudanças. O que se mostra muito evidente em Milk é a força de um homem, pertencente a uma minoria, contra todo um sistema, contra todas as estatísticas. Ele sobe ao poder de forma racional, coerente com o que Obama construiu. As imagens de arquivo, muito bem peneiradas, explicitam a força do “querer fazer a diferença”, essa construção do homem que transforma o seu ambiente aliado à democracia. Como um todo o filme volta ao terreno convencional, nada experimental. Chego a crer que Gus Van Sant perde a mão e ao construir um plano piegas como o da morte de Milk. Mas, dentro do que está sendo feito, o medíocre desse diretor é melhor que qualquer outra coisinha feita por aí. Eu acho.


22 O Lutador

25fev09

the_wrestler_posterThe Wrestler (2008)

Dir: Darren Aronofsky

Elenco: MICKEY ROURKE, Marisa Tomei, Evan Rachel Wood

Ca-ra-lho. Isso é cinema. Cinema é SOM e IMAGEM. Essa porra do Darren Aronofsky que desvirtuou o imaginário de metade dos adolescentes dos anos 2000 fazendo todos acreditarem que Réquiem era o futuro do cinema (incluindo eu), finalmente cresceu. O cara aprendeu a filmar! Deixou de ser um mero picotador de cenas e aprendeu a usar o som e a decupagem. Sensacional!!!! Melhor filme de 2009 desde agora. E o ressurgimento do Mickey Rourke. É lindo!!! E a Marisa Tomei está muito, mas muito gostosa!

Passado o alvoroço do entusiasmo. Continuo achando muito bom. Apesar de algumas cenas mal resolvidas (por exemplo, o último encontro do lutador com a stripper; e último dia de trabalho no balcão de frios; ambas as cenas bregas e cheias de sentimentalismo bobo) o filme ainda tem força. Na minha cabeça restam imagens impactantes e a força de um cinema que finalmente surge. E continua lindo.


21 Hairspray

25fev09

Hairspray (2007)

Dir: Adam Shankman

Elenco: Christopher Walken, John Travolta, Nikki Blonsky, James Marsden, Queen Latifah e Estrelas Teens (Zac Efron, Amanda Byrnes)

Curto muito John Waters. É tosco e sujo. Feio e completamente fora da “realidade normal”. Para quem não conhece, John Waters é uma biba maluca de bigodinho, que tem o maior orgulho de filmar “the filthiest movies on Earth”. Quem nesse mundo sente prazer nisso? Os filmes deles giram em torno do mal gosto e do grotesco, ele tem um livro-tese (haha) sobre o tema, que, vale ressaltar, é engraçadíssimo e muito informativo. Só ele é capaz de realizar uma coisa tão bizarra quanto Pink Flamingos e ainda realizar a proeza de fazer ela ser vendida normalmente na Saraiva, ao alcance de qualquer criança em pleno shopping Morumbi.

Daí o medo com relação a esse Hairpray. Um dos únicos filmes do John Waters que eu não vi foi refilmado. Não sei direito a história desse filme. Se o John Waters era detentor dos direitos ou não, se ele é era a favor ou não. Não importa. O grotesco e a bizarrice foram limados. Sim, é fora do convencional ver uma gordinha dançando na tela. Também é fora do convencional fazer o John Travolta travestir-se de mãe gorda e ainda ser mulher do Christopher Walken. Mas fora isso, tudo fica nos conformes. As cenas musicais são longas demais, tornando-se um tanto enfadonhas. Tudo é muito plástico e belo. A imagem é cristalina. Eles filmam com grua! Típico Hollywood padrão.

A graça do cinema de John Waters é justamente essa falta de recursos tosca ou o excesso recursos mal colocados (vide A Dirty Shame) e nessa refilmagem  virou um filme padrão. Sem contar que o Zac Efron existe nesse filme. Em Hollywood, hoje, não existe nada mais asseado do que ele. Asseado e superficial, e assim é Hairspray.


20 O Leitor

25fev09

The Reader (2008)

Dir: Stephen Daldry

Elenco: Kate Winslet, Ralph Fiennes, David Kross, Bruno Ganz

Antes de tudo, agradeço ao bom senhor por não ser um filme sobre a II Guerra e sobre o Holocausto que não siga os passos de A Vida é Bela, O Pianista ou aquele filme do mal de ruim do Robin Williams e o rádio. Retratar o sofrimento dos judeus utilizando a fantasia e a fuga não dá mais (se é que já deu..), não existe substrato para fazer filmes assim mais (abro uma ressalva para O Trem da Vida, esse eu acho ótimo… =))

Agora, O Leitor achei muito bom. Uma das bolas certas do ano. Sensível, bem narrado e inteligente. As discussões não são banais e simplistas. Moral, ética, tudo lá. A narrativa brinca com o maniqueísmo de forma, digamos, lúdica. Tudo se distorce pelo fato de o leitor e o espectador criarem laços com aquele a personagem da Kate Winslet. É a banalidade do mal da Arendt. Hanna Schimtz só cumpre ordens e tenta realizar seu tabalho, mas também busca mascarar a ignorância. Ela é humana e conhecendo a “humanidade” dela, isso a tornaria menos culpada?


19 Dúvida

25fev09

Doubt  (2008)

Dir: John Patrick Shanley

Elenco: Philip Seymour Hoffman, Meryl Streep, Amy Adams

Basicamente um filme de atores OK. O roteiro é interessante, traz discussões sobre moral, ética e valores espaldando-se na Igreja, antro dos dogmas. Blá, blá, blá. Um problema está na decupagem. Bi-zar-ra. Existe um excesso de cruzes ao longo do filme. Vira e mexe, uma cruz interpõe-se a um personagem. Num primeiro momento, bacana… Na quinta vez, já deu né. E também, que são aqueles planos tortos? Qual a função? Porque a estética pura e simplesmente, não sustenta aquilo. Por fim, fala-se demais e filma-se “demenos”. Tudo se resolve na conversa, daí ser um filme de atores, em que praticamente impera o teatro filmado. O cinema surge quando John patrick Shanley resolve dar um close nos rostos dos atores, fazer transparecer o monólogo interior. Opa, menti. Os monólogos sempre são exteriores e esses closes, quase novelescos (Glória Perez, oi?). Quer filmar na cara do ator, faz igual ao Cassavettes:

dúvida


Mammoth:

Antes de assistir ao trailer: Lukas Moodysson, devo estar ansiosa ou com um pé atrás com relação a isso?

Agora, ao som de Ladytron. Será que vai ser decepção?

Two Lovers

Muita ansiedade quanto a esse.


Boarding Gate

Dir.: Olivier Assayas

Elenco: Asia Argento, Michael Madsen, Kelly Lin

Foda. Muito intenso, pricipalmente os embates entre a Asia, fantástica, com Michael Madsen e com a chinesa. Com uma câmera maluca e frenética, Assayas visita a Ásia (há!) novamente. Tão bom quanto Espionagem na Rede. Aliás os dois filmes sofrem do mesmo mal: tradução tosca do título. Ah! A Kim Gordon dá um alô rápido (seria ela bróder do Assayas? Todo filme dele tem trilha do Sonic Youth!) num papel bem pequeno, só pra constar…


Por favor, quem tinha ouvido falar desse filme, manifeste-se. Um filme produzido pelo Luc Besson (cru-zes) que de repente é a maior bilheteria do fim de semana passado nos EUA?! Ainda “estrelado” pelo Liam Neeson!? Oi?


O subúrbio americano deve ser um problema para os americanos. Tantos filmes já foram feitos sobre o tema, para citar alguns, contemporâneos: Longe do Paraíso (2002), Pecados Íntimos (2006),  As Horas (2000) e Beleza Americana (1999). Respectivamente, dirigidos por Todd Haynes, Todd Field, Stephen Daldry e, vejam só, Sam Mendes.

Qual é a do fascínio por esse subúrbio? Todas as pessoas retratadas nos filmes são miseráveis, infelizes e vazias. Não possuem perspectivas, estão conformadas com o marasmo e a moralidade provinciana que os rodeia. Entretanto, estão sempre nos trinques para quem vê de fora: the gress is always greener on the other side.

Enfim, cada um com suas peculiaridades: Todd Haynes faz uma belíssima homenagem/releitura ácida e magnífica de Douglas Sirk, um bom filme com uma dona de casa gordinha (Kate Winslet, de novo) é o resultado nas mãos de Todd Field (who?), um tratado sobre a alma feminina (haha, altamente clichê isso) é  caminho de Daldry (que por si ó também é um amontoado de clichês…)  e Mendes retrata o que é o subúrbio nos anos 90: a mesma merda dos anos 50. Todos fazem uso do subúrbio para expressar as angústias e os disfarces da sociedade americana ontem, hoje e ad infinitum.

Portanto, Foi Apenas Um Sonho surge para fazer volume nesse meio. Existe um trabalho de câmera fabuloso: ela nunca ousa se aproximar e forçar emoções com über-closes e acaba por acompanhar o, digamos, estado emocional dos personagens; a luz é dramática e teatral em certas cenas, fugindo do pré-concebido naturalismo; e as atuações são um primor. Tudo muito adequado, tudo muito certinho e bem feito. Tudo igual ao que se critica: o exterior bem moldado que esconde um vazio. O filme segue tão bem todos os protocolos que em certo ponto, passa a aborrecer o espectador.

Uma boa surpresa, depois de todos já terem se acostumados com tudo aquilo que o filme vinha nos mostrando, se encontra no último plano. Muito bem pensado, tanto dramaturgicamente (como conclusão) quanto cinematograficamente, ele resume o que é, como viver e como superar os malefícios suburbanos de forma muito simples. Bastante digno.

Nota: 7/10

P.s.: Aliás, melhor que o filme, só os trailers que passaram antes: O Lutador, O Leitor, Dúvida e WATCHMEN!


I WANNA ROCK!

Comédia censura livre? Ainda mais com Jack Black? Com crianças em quase todos os quadros? Dirigida pelo Richard Linklater pós-redescoberta da rotoscopia???? Uma grande salada, aparentemente com ingredientes indigestos… Que nada! Serve muito bem como entrada: leve e apetitosa, deixando um  gosto de quero mais. As caretas rock’n'roll do Jack Black se encontraram perfeitamente aqui, em que ele interpreta seus personagens de sempre: gordinho-que-se-acha-mas-de-bom-coração (O Amor é Cego? Be Kind Rewind?) e um músico (Tenacious D?). Excelente passatempo: divertido e engraçado, e ainda conta com ótima trilha sonora e ótimas cenas musicais, impossível não rir com The Immigrant Song ou ainda mais com o extra do próprio Jack Black pedindo autorização de uso da música.

Nota: 8/10




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