23 Milk
Milk – A Voz da Igualdade (2008)
Dir: Gus Van Sant
Elenco: Sean Penn, James Franco, Diego Luna, Emile Hirsch, Josh Brolin
Pretexto para reunião de homens gostosos, deveria ser o subtítulo desse filme. Gus Van Sant deve ter realizado todos os sonhos eróticos dele. Fora isso, nada demais. Sei lá. Acostumei com Gerry e Paranoid Park. Não esperava rever algo como Gênio Indomável. Mas daí é só parar e pensar que o diretor já fez um video-clip para os Hanson…
Acredito que a força do filme se encontra no fato de ela simbolizar tudo que os americanos esperam de Barack Obama: mudanças. O que se mostra muito evidente em Milk é a força de um homem, pertencente a uma minoria, contra todo um sistema, contra todas as estatísticas. Ele sobe ao poder de forma racional, coerente com o que Obama construiu. As imagens de arquivo, muito bem peneiradas, explicitam a força do “querer fazer a diferença”, essa construção do homem que transforma o seu ambiente aliado à democracia. Como um todo o filme volta ao terreno convencional, nada experimental. Chego a crer que Gus Van Sant perde a mão e ao construir um plano piegas como o da morte de Milk. Mas, dentro do que está sendo feito, o medíocre desse diretor é melhor que qualquer outra coisinha feita por aí. Eu acho.
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Tags:Biografia, Focus Features, Gus Van Sant, Universal
22 O Lutador
Dir: Darren Aronofsky
Elenco: MICKEY ROURKE, Marisa Tomei, Evan Rachel Wood
Ca-ra-lho. Isso é cinema. Cinema é SOM e IMAGEM. Essa porra do Darren Aronofsky que desvirtuou o imaginário de metade dos adolescentes dos anos 2000 fazendo todos acreditarem que Réquiem era o futuro do cinema (incluindo eu), finalmente cresceu. O cara aprendeu a filmar! Deixou de ser um mero picotador de cenas e aprendeu a usar o som e a decupagem. Sensacional!!!! Melhor filme de 2009 desde agora. E o ressurgimento do Mickey Rourke. É lindo!!! E a Marisa Tomei está muito, mas muito gostosa!
Passado o alvoroço do entusiasmo. Continuo achando muito bom. Apesar de algumas cenas mal resolvidas (por exemplo, o último encontro do lutador com a stripper; e último dia de trabalho no balcão de frios; ambas as cenas bregas e cheias de sentimentalismo bobo) o filme ainda tem força. Na minha cabeça restam imagens impactantes e a força de um cinema que finalmente surge. E continua lindo.
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Tags:Darren Aronofksy, Fox Searchlight, Mickey Rourke
21 Hairspray
Dir: Adam Shankman
Elenco: Christopher Walken, John Travolta, Nikki Blonsky, James Marsden, Queen Latifah e Estrelas Teens (Zac Efron, Amanda Byrnes)
Curto muito John Waters. É tosco e sujo. Feio e completamente fora da “realidade normal”. Para quem não conhece, John Waters é uma biba maluca de bigodinho, que tem o maior orgulho de filmar “the filthiest movies on Earth”. Quem nesse mundo sente prazer nisso? Os filmes deles giram em torno do mal gosto e do grotesco, ele tem um livro-tese (haha) sobre o tema, que, vale ressaltar, é engraçadíssimo e muito informativo. Só ele é capaz de realizar uma coisa tão bizarra quanto Pink Flamingos e ainda realizar a proeza de fazer ela ser vendida normalmente na Saraiva, ao alcance de qualquer criança em pleno shopping Morumbi.
Daí o medo com relação a esse Hairpray. Um dos únicos filmes do John Waters que eu não vi foi refilmado. Não sei direito a história desse filme. Se o John Waters era detentor dos direitos ou não, se ele é era a favor ou não. Não importa. O grotesco e a bizarrice foram limados. Sim, é fora do convencional ver uma gordinha dançando na tela. Também é fora do convencional fazer o John Travolta travestir-se de mãe gorda e ainda ser mulher do Christopher Walken. Mas fora isso, tudo fica nos conformes. As cenas musicais são longas demais, tornando-se um tanto enfadonhas. Tudo é muito plástico e belo. A imagem é cristalina. Eles filmam com grua! Típico Hollywood padrão.
A graça do cinema de John Waters é justamente essa falta de recursos tosca ou o excesso recursos mal colocados (vide A Dirty Shame) e nessa refilmagem virou um filme padrão. Sem contar que o Zac Efron existe nesse filme. Em Hollywood, hoje, não existe nada mais asseado do que ele. Asseado e superficial, e assim é Hairspray.
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Tags:Christopher Walken, John Waters, New Line, Remake, Warner Bros
20 O Leitor
Dir: Stephen Daldry
Elenco: Kate Winslet, Ralph Fiennes, David Kross, Bruno Ganz
Antes de tudo, agradeço ao bom senhor por não ser um filme sobre a II Guerra e sobre o Holocausto que não siga os passos de A Vida é Bela, O Pianista ou aquele filme do mal de ruim do Robin Williams e o rádio. Retratar o sofrimento dos judeus utilizando a fantasia e a fuga não dá mais (se é que já deu..), não existe substrato para fazer filmes assim mais (abro uma ressalva para O Trem da Vida, esse eu acho ótimo… =))
Agora, O Leitor achei muito bom. Uma das bolas certas do ano. Sensível, bem narrado e inteligente. As discussões não são banais e simplistas. Moral, ética, tudo lá. A narrativa brinca com o maniqueísmo de forma, digamos, lúdica. Tudo se distorce pelo fato de o leitor e o espectador criarem laços com aquele a personagem da Kate Winslet. É a banalidade do mal da Arendt. Hanna Schimtz só cumpre ordens e tenta realizar seu tabalho, mas também busca mascarar a ignorância. Ela é humana e conhecendo a “humanidade” dela, isso a tornaria menos culpada?
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Tags:Imagem Filmes, Kate Winslet, The Weinstein Company
19 Dúvida
Dir: John Patrick Shanley
Elenco: Philip Seymour Hoffman, Meryl Streep, Amy Adams
Basicamente um filme de atores OK. O roteiro é interessante, traz discussões sobre moral, ética e valores espaldando-se na Igreja, antro dos dogmas. Blá, blá, blá. Um problema está na decupagem. Bi-zar-ra. Existe um excesso de cruzes ao longo do filme. Vira e mexe, uma cruz interpõe-se a um personagem. Num primeiro momento, bacana… Na quinta vez, já deu né. E também, que são aqueles planos tortos? Qual a função? Porque a estética pura e simplesmente, não sustenta aquilo. Por fim, fala-se demais e filma-se “demenos”. Tudo se resolve na conversa, daí ser um filme de atores, em que praticamente impera o teatro filmado. O cinema surge quando John patrick Shanley resolve dar um close nos rostos dos atores, fazer transparecer o monólogo interior. Opa, menti. Os monólogos sempre são exteriores e esses closes, quase novelescos (Glória Perez, oi?). Quer filmar na cara do ator, faz igual ao Cassavettes:
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Tags:Amy Adams, Buena Vista, Miramax
Mammoth:
Antes de assistir ao trailer: Lukas Moodysson, devo estar ansiosa ou com um pé atrás com relação a isso?
Agora, ao som de Ladytron. Será que vai ser decepção?
Two Lovers
Muita ansiedade quanto a esse.
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Tags:Isabella Rossellini, James Gray, Joaquin Pheonix, Lukas Moodysson
18 Traição em Hong Kong
Boarding Gate
Dir.: Olivier Assayas
Elenco: Asia Argento, Michael Madsen, Kelly Lin
Foda. Muito intenso, pricipalmente os embates entre a Asia, fantástica, com Michael Madsen e com a chinesa. Com uma câmera maluca e frenética, Assayas visita a Ásia (há!) novamente. Tão bom quanto Espionagem na Rede. Aliás os dois filmes sofrem do mesmo mal: tradução tosca do título. Ah! A Kim Gordon dá um alô rápido (seria ela bróder do Assayas? Todo filme dele tem trilha do Sonic Youth!) num papel bem pequeno, só pra constar…
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Tags:Asia Argento, Michael Madsen, Olivier Assayas
filmes para 2009: taken
Por favor, quem tinha ouvido falar desse filme, manifeste-se. Um filme produzido pelo Luc Besson (cru-zes) que de repente é a maior bilheteria do fim de semana passado nos EUA?! Ainda “estrelado” pelo Liam Neeson!? Oi?
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O subúrbio americano deve ser um problema para os americanos. Tantos filmes já foram feitos sobre o tema, para citar alguns, contemporâneos: Longe do Paraíso (2002), Pecados Íntimos (2006), As Horas (2000) e Beleza Americana (1999). Respectivamente, dirigidos por Todd Haynes, Todd Field, Stephen Daldry e, vejam só, Sam Mendes.
Qual é a do fascínio por esse subúrbio? Todas as pessoas retratadas nos filmes são miseráveis, infelizes e vazias. Não possuem perspectivas, estão conformadas com o marasmo e a moralidade provinciana que os rodeia. Entretanto, estão sempre nos trinques para quem vê de fora: the gress is always greener on the other side.
Enfim, cada um com suas peculiaridades: Todd Haynes faz uma belíssima homenagem/releitura ácida e magnífica de Douglas Sirk, um bom filme com uma dona de casa gordinha (Kate Winslet, de novo) é o resultado nas mãos de Todd Field (who?), um tratado sobre a alma feminina (haha, altamente clichê isso) é caminho de Daldry (que por si ó também é um amontoado de clichês…) e Mendes retrata o que é o subúrbio nos anos 90: a mesma merda dos anos 50. Todos fazem uso do subúrbio para expressar as angústias e os disfarces da sociedade americana ontem, hoje e ad infinitum.
Portanto, Foi Apenas Um Sonho surge para fazer volume nesse meio. Existe um trabalho de câmera fabuloso: ela nunca ousa se aproximar e forçar emoções com über-closes e acaba por acompanhar o, digamos, estado emocional dos personagens; a luz é dramática e teatral em certas cenas, fugindo do pré-concebido naturalismo; e as atuações são um primor. Tudo muito adequado, tudo muito certinho e bem feito. Tudo igual ao que se critica: o exterior bem moldado que esconde um vazio. O filme segue tão bem todos os protocolos que em certo ponto, passa a aborrecer o espectador.
Uma boa surpresa, depois de todos já terem se acostumados com tudo aquilo que o filme vinha nos mostrando, se encontra no último plano. Muito bem pensado, tanto dramaturgicamente (como conclusão) quanto cinematograficamente, ele resume o que é, como viver e como superar os malefícios suburbanos de forma muito simples. Bastante digno.
Nota: 7/10
P.s.: Aliás, melhor que o filme, só os trailers que passaram antes: O Lutador, O Leitor, Dúvida e WATCHMEN!
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Tags:Adaptação, Drama, DreamWorks, Kate Winslet, Leonardo DiCaprio, Paramount Vantage, Sam Mendes
Comédia censura livre? Ainda mais com Jack Black? Com crianças em quase todos os quadros? Dirigida pelo Richard Linklater pós-redescoberta da rotoscopia???? Uma grande salada, aparentemente com ingredientes indigestos… Que nada! Serve muito bem como entrada: leve e apetitosa, deixando um gosto de quero mais. As caretas rock’n'roll do Jack Black se encontraram perfeitamente aqui, em que ele interpreta seus personagens de sempre: gordinho-que-se-acha-mas-de-bom-coração (O Amor é Cego? Be Kind Rewind?) e um músico (Tenacious D?). Excelente passatempo: divertido e engraçado, e ainda conta com ótima trilha sonora e ótimas cenas musicais, impossível não rir com The Immigrant Song ou ainda mais com o extra do próprio Jack Black pedindo autorização de uso da música.
Nota: 8/10
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Tags:Comédia, Jack Black, Joan Cusack, Paramount, Richard Linklater, Sarah Silverman
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